Pequenas empresas, grandes fracassos
Por que a maioria das capitanias não prosperou? Além das dificuldades de logística e da oposição dos que estavam associados ao MSC (Movimento dos Sem-Capitanias), não havia um SEBRAE que orientasse os donatários. A escolha errada do modelo de gestão foi preponderante para o fracasso. Alguns donatários não souberam identificar a verdadeira vocação de suas capitanias. Vários optaram pela criação de avestruzes e distribuição de Herbalife. Outros tentaram o turismo rural e a criação de parques temáticos, e perderam tudo. Apenas as capitanias de Pernambuco, de Duarte de Coelho Pacheco, e de São Vicente, de Martins Afonso de Souza, prosperaram. Duarte Coelho e Martins Afonso eram homens de visão, ao contrário de Antônio Cardoso de Barros, do Ceará, que tinha quatro graus de miopia. De posse de dados que apontavam para o pouco número de diabéticos na Europa, Duarte coelho e Martins Afonso começaram o bem-sucedido negócio da cana-de-açúcar. Os engenhos de açúcar só tinham um provável inimigo: as formigas. Mas nada que um bom tamanduá não resolvesse. O acaso também ajudou a desenvolver a cana-de-açúcar no Brasil. Um escravo esqueceu um tonel cheio de caldo de cana no galpão do engenho. O caldo fermentou e aquilo chamou a atenção de Duarte Coelho. Ao abrir o tonel, o caldo havia se transformado em caninha Pitu. Estava inventada a cachaça. A cachaça foi fundamental no desenvolvimento de Pernambuco. Todos sabem que a cachaça tem o poder de amansar corno. Sabendo disso por experiência própria, Duarte Coelho mandou dar cachaça aos índios, que logo ficaram mansos. A cachaça se popularizou. O cabaré da capitania de Pernambuco ficou movimentado; vivia repleto de marinheiros que vinham buscar o açúcar. Com o sucesso da Pitu, o combustível da alegria, criou-se o frevo e, depois dele, surgiu a polícia, o que gerou mais empregos. De olho no sucesso de Pernambuco e São Vicente, na cachaça e nas mulheres dos índios, que agora estavam mansos, D.João III reorganizou o Brasil num governo central, colocando fim ao regime das capitanias. As capitanias hereditárias marcaram nossa vida. Muitos estados brasileiros guardam o nome da capitania e se assemelham no tocante ao espaço físico. Mas o que ficou marcado mesmo em nossa alma é a certeza de que, se você pretende ser dono de longas extensões de terra, é preciso ser amigo do rei ou herdar de alguém.
A outra história do Brasil (Jovane Nunes)
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